Como anda o Novo Ensino Médio?

JC Notícias – 16/01/2020

Como anda o Novo Ensino Médio?

Gestores estaduais de todas as regiões brasileiras relatam como anda o processo de construção do novo currículo e apontam as dificuldades de implementar as mudanças que deveriam começar agora em 2020. Especialistas confrontam o texto da reforma com a realidade das redes educacionais

Tudo começou em 2016, com uma medida provisória que, transformada em lei no ano seguinte, prometia reformar o ensino médio brasileiro. Mas isso foi no papel. Na prática, muita coisa deveria começar agora em 2020, prazo que a legislação estabeleceu para o início da implementação das mudanças. Entre um momento e outro, no entanto, várias outras coisas aconteceram. Guardando relação direta com a reforma, foram aprovadas em 2018 novas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio e foi publicada a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para esse segmento. No campo político mais geral, foram eleitos 17 novos governadores, gerando mudanças na gestão do ente federativo que é justamente o responsável pela oferta do ensino médio. “A mudança de governo com certeza impactou esse processo de regulação [da reforma], especialmente onde houve troca de partido político porque as novas secretarias foram definindo prioridades locais que estavam nos seus planos de governo”, explica Monica Ribeiro, professora da Universidade Federal do Paraná e coordenadora da Rede Nacional de Pesquisa sobre Ensino Médio.

Esta, no entanto, está longe de ser a única dificuldade: carência orçamentária e ausência de normas são alguns dos obstáculos apontados pelos estados, que caminham a passos mais ou menos lentos na direção dessas mudanças. “Não há uma uniformidade entre os 27 estados”, resume Mônica. Foi para conferir como anda esse processo que, nesta primeira edição de 2020, a Poli entrevistou gestores, especialistas e representantes dos movimentos sindical e estudantil. O que você vai ler nas próximas páginas é um retrato aproximado de como andam essas mudanças Brasil afora. A ideia é entender o que avançou e o que anda emperrado em estados pobres e ricos, nas cinco regiões brasileiras.

Mas, afinal, qual é o prazo?  

A lei 13.415, da reforma, é clara em estabelecer, no seu artigo 12, que os sistemas de ensino deveriam montar o cronograma das mudanças no primeiro ano letivo após a publicação da BNCC – ou seja, em 2019 – e “iniciar o processo de implementação” no ano seguinte, 2020. A resolução nº 2 do Conselho Nacional de Educação (CNE), que instituiu a Base, é ainda mais explícita, determinando que “a adequação dos currículos à BNCC deve ser efetivada preferencialmente até 2019 e, no máximo, até o início do ano letivo de 2020”. A questão é que, logo no artigo seguinte, o texto menciona uma parte do processo que não depende dos estados e que os gestores têm apontado quase como pré-condição para a adequação do currículo: as mudanças nas “avaliações de larga escala”. Isso porque o Novo Ensino Médio requererá também uma renovação no Enem, o Exame Nacional do Ensino Médio. E o formato futuro dessa avaliação – que funciona como uma das principais portas de entrada ao ensino superior – deveria ter sido divulgado, no máximo, um ano após a publicação da Base. Mas, até o fechamento desta reportagem, em dezembro de 2019, nada tinha sido anunciado. “O CNE delegou ao MEC a definição do cronograma do Enem. Então, está todo mundo esperando isso para poder finalizar o cronograma de implementação”, diz Eduardo Deschamps, presidente da Comissão do Ensino Médio e da Comissão da BNCC no Conselho Nacional de Educação. O Superintendente de Educação do Mato Grosso do Sul, Helio Queiroz, estado que está relativamente avançado no desenho do currículo, testemunha: “Essa talvez seja hoje a maior dúvida que nós temos. Infelizmente, os estados e o [ensino] médio ainda vão a reboque do Enem”. Uma questão concreta, segundo ele, é a incerteza sobre o quanto de carga horária referente à Base oferecer em cada um dos três anos – uma decisão que a lei delegou aos sistemas de ensino, desde que no final se chegue a no máximo 1,8 mil horas e o conteú-do de português e matemática apareça em todos os anos. A insegurança, explica, está em mudar a distribuição da carga horária, encaixando mais formação básica do que dos itinerários no início do ensino médio, por exemplo, e depois o Enem – que é feito no terceiro ano – exigir boa parte desse conteúdo, que ficou lá atrás.

Deschamps explica que as datas estabelecidas na resolução do CNE – que começam em 2019 e vão até 2022 como prazo máximo para finalização – dizem respeito apenas à parte do currículo referente à BNCC e não ao Novo Ensino Médio como um todo. Isso porque a reforma definiu a divisão do currículo em duas partes: uma orientada pela BNCC e outra mais flexível, organizada a partir de itinerários formativos. Esta segunda parte, de acordo com o conselheiro, não tem prazo para ser finalizada. Segundo Deschamps, o MEC estaria preparando uma nota técnica para “orientar todas essas questões de prazo”. Procurado pela reportagem via assessoria de imprensa, o Ministério não respondeu à solicitação de entrevista nem às perguntas enviadas.

Leia na íntegra: EPSJV – Fiocruz

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Projeto “SBPC vai à Escola” 2020

 

JC Notícias – 16/01/2020

Envie sua proposta para o projeto “SBPC vai à Escola” 2020

Prazo para submissão de propostas vai até 31 de janeiro

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) está com chamada aberta para o projeto “SBPC vai à Escola”. Voltado para escolas estaduais e municipais de Ensino Fundamental e Médio, o projeto tem como principal objetivo propiciar a crianças e jovens um primeiro contato com o pensamento científico.  Os interessados devem ser sócios ativos da SBPC e encaminhar as propostas para análise até o dia 31 de janeiro de 2020.

As atividades devem ser realizadas por meio das Secretarias Regionais da SBPC e, para os estados ou localidades em que não haja Secretaria Regional, o interessado deve procurar o apoio da Secretaria mais próxima ou um membro da Diretoria da SBPC.

As propostas devem ser submetidas para análise em formato livre para o e-mail sbpc_escola@sbpcnet.org.br, e devem conter a proposta orçamentária justificada com o cronograma detalhado. Cada projeto poderá ser financiado em até R$ 10.000,00 (dez mil reais). Os recursos devem ser utilizados entre 01/03/2020 até 30/11/2020.

A avaliação dos projetos ocorrerá no período de 01 a 14/02/2020, com o resultado sendo informado a partir de 17/02/2020.

Confira o Edital aqui.

SBPC

 

Programa usa neurociência em ensino inovador de matemática

 

JC Notícias – 15/01/2020

Programa usa neurociência em ensino inovador de matemática

Desenvolvido na Universidade Stanford, o Youcubed traz abordagem baseada em estudos de neurociência que emprega ferramentas visuais, criatividade e colaboração no ensino e aprendizagem da matemática

Ainda há quem acredite que matemática é “um dom” ou que só pessoas muito inteligentes conseguem compreendê-la. Para desmistificar esta percepção, a pesquisadora de Educação Matemática Jo Boaler, da Universidade Stanford (EUA), desenvolveu o Youcubed. É uma abordagem baseada em estudos de neurociência que emprega ferramentas visuais, criatividade e colaboração no ensino e aprendizagem da matemática. No Brasil, o programa foi adaptado pelo Instituto Sidarta como Mentalidades Matemáticas e pretende demonstrar que todos são capazes de aprender matemática em alto nível.

A proposta de Jo Boaler é ensinar a “matemática multidimensional, como um assunto acessível e flexível. Os alunos podem trazer suas próprias ideias e aplicá-las para resolver os problemas matemáticos”. Em 2019, a pesquisadora e fundadora da plataforma Youcubed (que oferece vídeos, textos e atividades do programa) esteve no Brasil no 2º Seminário Mentalidades Matemáticas, apoiado pelo IMPA. A primeira edição do seminário, em 2018, teve as presenças do diretor-geral do IMPA, Marcelo Viana, e o diretor-adjunto, Claudio Landim. Os seminários são voltados para a formação dos professores.

A abordagem privilegia uma matemática visual, aberta e criativa, em que o erro é visto como natural, parte do processo de aprendizagem. “O erro é nosso amigo” é um mote do programa. Os professores usam materiais concretos e visuais e atuam como mediadores de conhecimento e de curiosidades, que ajudam os pupilos a desenvolver sua identidade matemática. Em grupos, os pequenos buscam soluções e descobrem que há muitos caminhos para resolver o mesmo problema matemático. Eles são os protagonistas: são eles que apresentam suas soluções à turma.

Colégio público dá salto em desempenho

A abordagem já está sendo aplicada, com resultados expressivos. O Mentalidades Matemáticas é uma realidade, desde 2017, na Escola Estadual Henrique Dumont Villares, no Jaguaré, em São Paulo. Os resultados do 3º ano deram considerável salto no SARESP (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo). Após dois anos de aplicação, passaram de 16,7% para 52% dos alunos no nível “avançado”, entre 2016 e 2018. No total, 99% dos estudantes estavam nos níveis “avançado” e “adequado”. O 5º ano também saiu de 30,7% em nível avançado em 2017 para 42,8%, em 2018, após um ano com a metodologia.

“Sinto que estou me desenvolvendo, principalmente em Matemática”, conta Ray dos Santos, aluno da 3ª ano do Ensino Fundamental, que sonha ser advogado. Alagoano, ele mora em São Paulo há dois anos. “Antes, eu só lia os números, decorava, não contava. Hoje estou pensando matemática”, conclui Ray.

Em plenas férias de janeiro, 100 alunos de duas escolas públicas em Cotia (SP) estão trocando as brincadeiras pela sala de aula e  se divertindo aprendendo matemática no Curso de Férias do Programa Mentalidades Matemáticas. As atividades vão de 6 a 17 de janeiro, na Escola Municipal Prefeito Ivo Mario Isaac Pires, em Cotia (SP). Em curso semelhante nos EUA, realizado em 18 dias pela Universidade Stanford, as crianças tiveram evolução equivalente a 2,7 anos de ensino regular de matemática.

A professora Patrícia Schmidt já percebeu mudanças no comportamento. “Quando se cria uma relação de confiança, e os alunos ganham a autonomia, eles se transformam e se engajam muito mais”, explica.

Os estudantes trabalham em grupo para incentivar a cooperação no processo de aprendizagem. “Sempre tive dificuldades com matemática, minhas notas não são boas, na minha família ninguém gosta, mas aqui eu posso aprender e é divertido. Outra coisa que gostei é que posso dar minha opinião”, afirma Johanna Pereira, 10 anos.

Estudos contemporâneos de neurociência apontam que o cérebro cresce e muda continuamente. Das cinco áreas ativadas quando pensamos de forma matemática, duas estão no campo visual. Ao trabalhar com desenhos, imagens e proporções, exercita-se o cérebro em regiões pouco usadas no estudo da disciplina, o que reforça a compreensão.

Para Ya Jen Chang, presidente do Instituto Sidarta, o MM ajuda a construir uma nova cultura matemática. “Hoje, professores e alunos afirmam que se sentem mais confiantes em relação à disciplina. A matemática não assusta mais. No lugar da ansiedade, problemas desafiadores atiçam a curiosidade dos jovens aprendizes que usam do seu raciocínio lógico e de sua criatividade para construírem possíveis soluções.”

Impa

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MEC endossa ‘suavização’ de livros comentada por Bolsonaro, mas não especifica mudanças

 

JC Notícias – 10/01/2020

MEC endossa ‘suavização’ de livros comentada por Bolsonaro, mas não especifica mudanças

Presidente e ministro não souberam apontar qualquer exemplo de ‘doutrinação’ que tenha sido encontrado

Apesar do desejo do presidente Jair Bolsonaro de “suavizar” livros didáticos a partir de 2021, o conteúdo dos materiais distribuídos nas escolas públicas não deverá sofrer mudanças drásticas, segundo o secretário executivo do Ministério da Educação, Antonio Paulo Vogel.

“O livro didático é um livro de ensino, e acabou. As matérias estavam todas lá. Não há nenhuma grande novidade nessa história. Vamos deixar acontecer. Os senhores vão vendo à medida em que for acontecendo”, frisou Vogel ao ser questionado sobre as novas características dos conteúdos.

Diante da insistência de jornalistas sobre quais serão os reflexos práticos da “suavização” nos livros, o secretário executivo disse que não tinha mais nada a falar sobre isso. Também não disse se algum problema de “doutrinação” foi identificado nos livros didáticos atualmente em circulação.

Leia na íntegra: O Estado de S. Paulo

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Quando o cérebro aprende matemática

Imagem de Gerd Altmann por Pixabay

 

JC Notícias – 09/01/2020

Quando o cérebro aprende matemática

A matemática, como a leitura e a escrita, é uma habilidade cognitiva muito recente, e por isso só pode ser explicada como um resultado da cultura possibilitada pela plasticidade cerebral”, comenta Roberto Lent, professor emérito da UFRJ, em artigo para o jornal O Globo

Aprender matemática é difícil para qualquer criança. É diferente da fala, considerada unanimemente pelos neurocientistas como uma habilidade humana inata, possibilitada pela evolução do cérebro dos primatas. A matemática, como a leitura e a escrita, é uma habilidade cognitiva muito recente, e por isso só pode ser explicada como um resultado da cultura possibilitada pela plasticidade cerebral, isto é, a “adaptação” dos circuitos neurais por meio da aprendizagem.

O esforço cognitivo que a criança realiza para aprender matemática, portanto, é maior do que para falar, e envolve muitas áreas cerebrais conectadas em redes. Muitas regiões cerebrais são mobilizadas para aprender o significado dos números ou a relação entre eles. O número 5 significa um certo número de objetos à sua frente. O número 1 representa um único objeto. Esse é o significado dos números: representar quantidades. Já compreender que 5 é maior que 1, no entanto, é um pouco mais difícil. Neste caso trata-se de uma relação entre os números. E quando os números são altos, aí mesmo é que tudo fica mais difícil: 1.564 representa uma grande quantidade de objetos, maior que 1.562 e menor que 1.607.

Leia na íntegra: O Globo

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Escolas cívico-militares terão aulas semanais obrigatórias de ‘valores e atitudes’

 

JC Notícias – 09/10/2020

Escolas cívico-militares terão aulas semanais obrigatórias de ‘valores e atitudes’

MEC determina que colégios tenham ao menos uma hora-aula semanal para ensinar temas como ‘respeito, solidariedade, responsabilidade e honestidade’

Um dos principais projetos anunciados pelo Ministério da Educação (MEC) no primeiro ano do governo Bolsonaro, as escolas cívico-militares terão ao menos um tempo semanal reservado para aulas de “desenvolvimento de valores e atitudes”, como parte do que o MEC chama de “Projeto Valores”.

Segundo o ministério, o projeto “irá recomendar alguns valores a serem desenvolvidos e que podem ser ampliados pela escola”. Como sugestão de virtudes a serem ensinadas, lista “respeito, solidariedade, responsabilidade, honestidade”.

Lei na íntegra: O Globo

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2020: década da resistência

 

2020: década da resistência

Mensagem transmitida às amigas e companheiras do GEPA, durante nosso último encontro de 2019

Estamos vivendo um momento atípico em todos os setores da vida do país. A educação tem sofrido investidas absurdas de desvalorização. Trabalhamos com um tema estratégico e sensível: a avaliação formativa, pelo seu poder de promover as aprendizagens, o que empodera estudantes e professores. Não, simplesmente, quaisquer aprendizagens, mas as que formam nossos jovens para a inserção social crítica e responsável.

Todas as políticas educacionais têm afetado a avaliação direta ou indiretamente. Até mesmo o seu silenciamento é indicador da intenção de obscurecê-la. A formação das crianças e dos jovens brasileiros para a cidadania democrática está em risco. Neste momento de preocupação com o que vem acontecendo, como pesquisadores da avaliação, cabe-nos tomar atitudes de resistência: aprofundando nossos saberes sobre o tema, aliando-nos aos que a desenvolvem na educação básica e superior e difundindo nossos estudos e contribuições. Não é o momento de nos recolhermos e de simplesmente nos assustarmos, mas de nos agruparmos para que, colaborativamente, nossas ideias se fortaleçam. Nossa consciência nos chama a atuar.

 

Brasília, 20/12/2019

Benigna Maria de Freitas Villas Boas – coordenadora do GEPA

 

 

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Schwartsman: o pesadelo da militarização das escolas

 

Schwartsman: o pesadelo da militarização das escolas

por Luiz Carlos de Freitas

Helio Schwartsman escreve na Folha de São Paulo sobre as escolas militarizadas que só na Bahia, com o consentimento da administração do PT, somam 83: “Para mim, todo tipo de disciplina imposto aos alunos, com continências, uniformes, padrões para corte de cabelo e maquiagem, além da vigilância extrema, é um cenário de pesadelo.” Leia aqui.

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Luiz Carlos de Freitas | 27/12/2019 às 7:36 AM | Tags: “Nova” Direita, Direto do fundo do poço, Segregação | Categorias: Assuntos gerais, Militarização de escolas, Segregação/exclusão, Weintraub no Ministério | URL: https://wp.me/p2YYSH-78z

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