ENSINAR, APRENDER E AVALIAR: QUESTÃO DE CONCEPÇÃO

Erisevelton Silva Lima (Prof. Eri)
Se as coisas são inatingíveis, isso não é motivo para não querê-las. (Mário Quintana)

Caso não mudemos as concepções sobre ensinar e aprender, tampouco mudaremos a compreensão sobre o que é avaliar. A avaliação, isoladamente, não muda a concepção de ensinar, também não opera sobre o que pensam os professores sobre o que é aprender. Em razão das nossas práticas antigas e equivocadas sobre o que é avaliar respaldadas na função classificatória, a avaliação ocupa lugar derradeiro no processo de ensino. Muitos ainda acreditam que se deve ensinar para depois aprender e que, finalmente, será possível avaliar. Nessa “esteira fabril” transportada para o cenário educativo, a avaliação é concebida como um fim em si mesma para justificar os meios. A compreensão é a de que depois de “tudo” feito, “avalia-se” para corroborar os resultados. Acontece que nós, defensores da avaliação formativa, acreditamos noutra lógica, ou seja, naquela em que o ato avaliativo acontece antes mesmo de ensinar e permanece durante todo o processo servindo de retroalimentação para aqueles que agora aprendem, ensinam e progridem juntos. Continue lendo “ENSINAR, APRENDER E AVALIAR: QUESTÃO DE CONCEPÇÃO”

 

É POSSÍVEL A NÃO REPROVAÇÃO?

Benigna Maria de Freitas Villas Boas

Retirei do livro “A avaliação da aprendizagem na Escola da Ponte”, de autoria de José Pacheco e Maria de Fátima Pacheco, Editora Wak, 2012, p. 50, o seguinte parágrafo:

“Na Ponte [Escola da Ponte] é bem diferente esse conceito de avaliação. Não existe repetência. A avaliação não tem o objetivo de aprovar ou reprovar. Não existem séries para a criança “passar de ano”. Ela avança conforme sua autonomia e seu ritmo. Em um mesmo espaço convivem crianças que estão estudando objetivos diferentes, que não percorrem o mesmo caminho. É claro que existem aquelas que avançam mais rapidamente, a exemplo de um aluno que, na escola “comum”, estaria no quarto ano e que, na Ponte, já estava alcançando objetivos do sexto ou sétimo ano. Outras já precisam de um tempo maior, mas isso é visto de maneira natural. Os ritmos são respeitados. O que ela não atingiu nesse ano, pode atingir no próximo, sem precisar “repetir” muitas coisas que já foram vistas. Ela segue com aquilo que aprendeu e que ainda precisa ser alcançado”. Continue lendo “É POSSÍVEL A NÃO REPROVAÇÃO?”

 

IDEB: PARA QUÊ?

Benigna Maria de Freitas Villas Boas

Reportagem da revista Isto é, de 8/5/2013, descreve “como a união entre professores, pais, alunos e autoridades de Foz do Iguaçu reverteu em pouco tempo índices ruins de aprendizado no ensino básico e conseguiu bater, inclusive, metas estipuladas para 2022”. A escola municipal Adele Zanotto, de Foz do Iguaçu, obteve 7,2 no último Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – IDEB – que conjuga dados sobre fluxo escolar e os resultados da Prova Brasil. Professores e funcionários da escola vestem literalmente a camisa da sua instituição. Uma foto mostra uma professora com a nota do IDEB estampada em sua camiseta. Segundo a reportagem, entre os municípios brasileiros com mais de mil alunos matriculados no 5º ano do ensino fundamental, Foz do Iguaçu é o que exibe o melhor resultado. A conquista é recente porque em 2001 o índice de reprovação era de 13% e chegou a 15% em 2009. A ex-secretária municipal de educação, Joane Vilela, justifica tal conquista: “Instituímos o Plano de Estudos Individualizados no turno oposto para alunos com dificuldades, com grande incentivo à leitura e à escrita, e o acompanhamento de frequência e desempenho”. Um dos segredos do êxito, segundo a ex-secretária, é o envolvimento de toda a cidade. Continue lendo “IDEB: PARA QUÊ?”

 

AVALIAÇÃO PARA APRENDIZAGEM

Benigna Maria de Freitas Villas Boas

Dificuldades enfrentadas por professores para avaliar são informações que costumo solicitar, por escrito, a docentes da rede pública de ensino do Distrito Federal – DF – quando nos encontramos. São ocasiões propícias à obtenção de suas percepções porque eles se encontram, naquele momento, em situação de reflexão sobre sua prática e suas necessidades. Uma das dificuldades que vem sendo apontada cada vez com mais frequência é revelada nos seguintes depoimentos: “exigência da avaliação seletiva dos alunos (vestibulares, concursos etc.)”; “na escola pede-se que se faça a avaliação formativa, porém, temos que preparar os alunos para enfrentar avaliações quantitativas nos vestibulares, concursos públicos e seleção em empresas. Além da cobrança da direção da escola por resultados”; “a sociedade é capitalista, se o aluno não for cobrado por essa lógica, não estará sendo prejudicado? Pois não conseguirá competir e acabará à margem, em sub-empregos”. Continue lendo “AVALIAÇÃO PARA APRENDIZAGEM”

 

Em defesa da sala de aula

Reportagem do Correio Braziliense de 19/04/2013 informa que o vencedor do Nobel de Física em 2001, Carl Wieman, dos Estados Unidos, propõe, na revista Science desta semana, que professores universitários não valorizem apenas a pesquisa mas se dediquem mais à formação dos futuros cientistas. Para especialistas brasileiros, falta de interesse pelo ensino também é um problema no país.

Carl Wieman, além de ser reconhecido por desenvolver pesquisas de ponta, é engrandecido por seu empenho nas salas de aula. Afirma a reportagem que, desde que tomou para si a missão de educador, Wieman diz não entender por que as instituições de ensino superior ainda hoje desconsideram décadas de pesquisa que mostram a superioridade da aprendizagem ativa em relação aos tradicionais 50 minutos de palestra em que o professor fala e os alunos somente escutam. Continue lendo “Em defesa da sala de aula”

 

Tessituras sobre o uso de um ambiente virtual de aprendizagem na progressão parcial em Química

Adriana Helena Teixeira, professora da Secretaria de Educação do DF, defendeu dissertação com o seguinte título: Tessituras sobre o uso de um ambiente virtual de aprendizagem na progressão parcial com dependência em Química, sob a orientação do professor Dr. Ricardo Gauche. O trabalho se insere no Programa de pós-graduação em Ensino de Ciências, Mestrado Profissional em Ensino de Ciências, do Instituto de Química, da UnB. Adriana investigou as contribuições do AVA, Ambiente Virtual de Aprendizagem, para o desenvolvimento da avaliação das aprendizagens de um grupo de alunos do ensino médio que se encontrava no regime de progressão parcial com dependência em Química. Normalmente os alunos nessa situação, em lugar de desenvolverem atividades para que aprendam e possam dar continuidade aos estudos, apenas recebem a incumbência de elaborar um “trabalho” que, entregue ao professor, garante a sua aprovação na disciplina. Continue lendo “Tessituras sobre o uso de um ambiente virtual de aprendizagem na progressão parcial em Química”

 

Notas mais altas para meninas

A publicação PISA in Focus, da OECD, de março de 2013 e acessada em 15/04/2013, informa a tendência de professores atribuírem notas mais altas a meninas e a estudantes economicamente favorecidos. Segundo o texto, as notas têm o propósito de informar os estudantes sobre o progresso de suas aprendizagens, alertar professores acerca das suas necessidades e certificar o grau de domínio das tarefas e competências exigidas pela escola.
Esse fato demonstra a necessidade de se desenvolverem pesquisas sobre o tema.

 

Avaliação na educação infantil segundo a Lei nº 12.796

Benigna Maria de Freitas Villas Boas

Está em vigor desde o dia 04 de abril de 2013 a Lei nº 12.796, que altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, no que se refere a alguns aspectos da educação infantil. Uma das mudanças refere-se à avaliação na educação infantil.

Artigo 31. A educação infantil será organizada de acordo com as seguintes regras comuns:
I – avaliação mediante acompanhamento e registro do desenvolvimento das crianças, sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao ensino fundamental;
II – carga horária mínima anual de 800 (oitocentas) horas, distribuída por um mínimo de 200 (duzentos) dias de trabalho educacional;
III – atendimento à criança de, no mínimo, 4 (quatro) horas diárias para o turno parcial e de 7 (sete) horas para a jornada integral;
IV – controle de frequência pela instituição de educação pré-escolar, exigida a frequência mínima de 60% (sessenta por cento) do total de horas;
V – expedição de documentação que permita atestar os processos de desenvolvimento e aprendizagem da criança. Continue lendo “Avaliação na educação infantil segundo a Lei nº 12.796”

 

A meritocracia avança perigosamente nas escolas

Tomamos conhecimento de um convite para a formação do 1º Ninho das Cobras de uma escola de ensino fundamental no DF. O convite traz data, horário e local para a constituição do referido “ninho”. Sem identificação do/a professor/a responsável, da escola e dos alunos, apresentamos o teor do convite:

“Data: 27/03/2013 – 14 horas – no refeitório da escola.
XXX, professor de XXX e coordenador do Projeto Ninho das Cobras das 5as séries A,B, C, D, E e F, do XXX, tem o prazer de convidar os pais dos alunos cobras, os alunos cobras, os seus ex-alunos e hoje professores, A e B, a CRE XXX na pessoa da professora XXX, a direção da XXX, o professor C, a direção do XXX e demais professores dessas turmas para: Entrega das medalhas, dos diplomas comemorativos, da premiação aos alunos Cobras(o melhor de cada fila), Sucuris(o melhor de cada sala) e grande Sucuri o melhor de todas as turmas. Segue abaixo a relação das cobras por turma: Continue lendo “A meritocracia avança perigosamente nas escolas”

 

Escolas empobrecidas: sem História nem Geografia

Carta na Escola

Carta Capital
Educação
15.02.2013 12:52
Escolas empobrecidas: sem História nem Geografia

A escola vive uma profunda crise de legitimidade*. O mundo mudou, ficou complexo, novas demandas surgiram. Os estudantes na escola também são outros, diversos na origem e nos interesses. Os professores carecem de condições para um trabalho digno. A sociedade alterou suas expectativas referentes à escola e, assim, criou-se um complicado jogo de múltiplas contradições e, para essa complexidade, não cabem respostas e políticas simplistas. Continue lendo “Escolas empobrecidas: sem História nem Geografia”