Cultura avaliativa

Cultura avaliativa

Benigna Maria de Freitas Villas Boas

A aprendizagem da avaliação é um dos saberes essenciais ao desenvolvimento do trabalho docente. Contudo, ela ainda é negligenciada na formação inicial e continuada de professores e dos demais educadores que atuam em escolas de educação básica e superior. Esse fato denota a necessidade de ela merecer lugar de destaque quando se discutem temas como currículo e trabalho pedagógico. Pesquisas têm revelado que o professor é um avaliador por excelência. O processo avaliativo que desenvolve compõe-se de elementos técnicos, políticos, sociais e afetivos. Por esse motivo, cabe refletir sobre as seguintes questões: por que e para que se avalia? Quem avalia e quem é avaliado? Por quais meios? A quem a avaliação beneficia? A quem pode prejudicar? Em que contexto ocorre? Com que cuidados se avalia? O que é feito com os resultados obtidos? A podem ser socializados? Que outras ações deles decorrem? Como eles retornam aos sujeitos avaliados? Além disso, outras considerações são acrescentadas: a necessária articulação da avaliação formal e da informal; o feedback pelo professor e a autoavaliação e o automonitoramento pelos estudantes, como recursos essenciais à avaliação formativa. Como coroamento disso tudo, afirma-se que a avaliação está a serviço das aprendizagens e não da aprovação e da reprovação. Continue lendo “Cultura avaliativa”

 

O PROJETO DA ESCOLA, O CURRÍCULO E A AVALIAÇÃO: DIÁLOGOS NECESSÁRIOS

O PROJETO DA ESCOLA, O CURRÍCULO E A AVALIAÇÃO: DIÁLOGOS NECESSÁRIOS

(Por: Erisevelton S. Lima – Professor da SEEDF, formador da EAPE, Doutor em Educação pela Universidade de Brasília – UnB)

 

Em meio aos inúmeros desafios que movimentam a escola de educação básica, a construção do seu projeto político-pedagógico – PPP – representa, nesse sentido, a oportunidade de a instituição superar obstáculos e potencializar seus acertos. Este breve texto procura auxiliar, de forma prática, como a organização pode encontrar sua metodologia e viabilizar as tratativas que decorrem dessa demanda. O projeto da escola é um documento cujos rumos precisam ser definidos e acordados entre todos que a habitam.

Se existe um início, então deve haver um fim, não é? Nem sempre, o projeto da escola não termina, como também não se encerram as inúmeras questões que a invadem todos os dias. Sendo assim, o primeiro passo é sentarmos, respirarmos e entendermos que somos seres históricos e nossas ideias, como tudo que realizamos, possuem prazos de validade. Vamos contribuir com o agora, vamos deixar nossas marcas e nossos passos, eles são nossas maiores contribuições. A escola precisa lançar mão de algo que chamamos de avaliação do trabalho da escola ou avaliação institucional. O PPP precisa ser avaliado. Se não existe o documento não quer dizer que o projeto não exista, ele se faz representar por meio de todos os hábitos, culturas e formas de agir na instituição durante o ano letivo. Comecemos nos autoavaliando, refletindo sobre nossas práticas e contribuições ao longo desse processo. Em seguida, elejamos algumas categorias do trabalho pedagógico que precisam dessa reflexão. Para tanto, apresento algumas questões que podem contribuir. Continue lendo “O PROJETO DA ESCOLA, O CURRÍCULO E A AVALIAÇÃO: DIÁLOGOS NECESSÁRIOS”

 

A meritocracia é um mito que alimenta as desigualdades, diz Sidney Chalhoub

 

Jornal da UNICAMP, 07/06/2017

Para historiador da Unicamp e de Harvard, a Universidade está preparada para as cotas étnico-raciais

Texto

MANUEL ALVES FILHO

Fotos

ANTONIO SCARPINETTI

Edição de imagem

LUIS PAULO SILVA

A meritocracia é um mito que alimenta as desigualdades, diz Sidney Chalhoub

Ao aprovar o princípio das cotas étnico-raciais, a Unicamp se alinhou às grandes universidades do mundo, como Harvard, Yale e Columbia, que adotam a diversidade como critério para o ingresso de seus estudantes. O pressuposto dessas instituições é que a diversidade melhora a qualidade. A afirmação é do historiador Sidney Chalhoub, professor titular colaborador do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp e docente do Departamento de História da Universidade de Harvard (EUA). Na entrevista que segue, concedida ao Jornal da Unicamp, Chalhoub salienta a importância das ações afirmativas como mecanismo de reparação e promoção de justiça social e contesta argumentos utilizados pelos críticos das cotas, como a necessidade de preservar a meritocracia. “A meritocracia como valor universal, fora das condições sociais e históricas que marcam a sociedade brasileira, é um mito que serve à reprodução eterna das desigualdades sociais e raciais que caracterizam a nossa sociedade. Portanto, a meritocracia é um mito que precisa ser combatido tanto na teoria quanto na prática. Não existe nada que justifique essa meritocracia darwinista, que é a lei da sobrevivência do mais forte e que promove constantemente a exclusão de setores da sociedade brasileira. Isso não pode continuar”, defende.

O historiador Sidney Chalhoub: “As razões históricas, sociais e filosóficas em favor das cotas justificam plenamente a medida. Não há futuro possível com esse perfil de desigualdade se reproduzindo ao longo do tempo. É uma missão de todos superar essa desigualdade” Continue lendo “A meritocracia é um mito que alimenta as desigualdades, diz Sidney Chalhoub”

 

Planejamento da avaliação a partir da Base Nacional Comum Curricular – BNCC: sem o apoio da concepção de avaliação formativa

Planejamento da avaliação a partir da Base Nacional Comum Curricular – BNCC: sem o apoio da concepção de avaliação formativa

Benigna Maria de Freitas Villas Boas

Feitas a leitura, a análise e as discussões que conduzem à compreensão da BNCC, pelas equipes escolares, o passo seguinte poderá ser o grupo deter-se nas competências gerais apontadas no início do documento como ponto de partida para o planejamento da avaliação. Esse atrelamento competências gerais/avaliação é importante para que não se incorra no equívoco de a avaliação ser considerada o ato final do processo de organização curricular e do trabalho pedagógico de toda a escola e da sala de aula. A atividade de implementação da Base poderá proporcionar rica oportunidade de compreensão e formulação da prática da avaliação formativa, se estiver ancorada em uma clara concepção. Esta função avaliativa é mencionada no início do documento, no item que trata da “Base Nacional Comum Curricular e currículos”, mas de forma incompleta, sem contribuir para o seu entendimento. Discorrendo sobre as “decisões que vão adequar as proposições da BNCC à realidade dos sistemas de ensino e das instituições escolares, considerando o contexto e as características dos alunos”, o documento estabelece que essas decisões se referem a várias ações, dentre elas: “construir e aplicar procedimentos de avaliação formativa de processo ou de resultado que levam em conta os contextos e as condições de aprendizagem, tomando tais registros como referência para melhorar o desempenho da escola, dos professores e dos alunos”. A inclusão desta ação, sem que antes tenha sido mencionada a concepção de avaliação formativa, é equivocada e lamentável, por reduzi-la à aplicação de procedimentos e por associá-la simplesmente a resultados, dando a impressão de ser este seu intento. Percebe-se um vácuo em relação a esse tema.

A BNCC, em sua terceira versão, perdeu a oportunidade de incorporar a concepção de avaliação formativa antes de referir-se à construção e aplicação de procedimentos, o que transmite a ideia de que ela se resume a isso. Ela será lida e esmiuçada por educadores de todo o país, da educação básica e superior. É de se estranhar esse vácuo por ela deixado. Documentos oficiais não costumam dar destaque à avaliação, embora ela seja a “guardiã dos objetivos”, como considera Luiz Carlos de Freitas. Sabemos que a avaliação classificatória, vinculada a notas e voltada quase exclusivamente para a promoção dos estudantes de um ano a outro, precisa ser extirpada do trabalho escolar. A BNCC prestaria grande contribuição se tivesse se associado à avaliação formativa.

 

 

 

 

 

 

Hora de analisar a Base Nacional Comum Curricular – BNCC – para planejar sua implementação

Hora de analisar a Base Nacional Comum Curricular – BNCC – para planejar sua implementação

Benigna Maria de Freitas Villas Boas

Em 2015 teve início a confecção da BNCC. A primeira versão foi aberta para consulta pública de 16/9/2015 a 13/3/2016. Após a análise das sugestões de alteração encaminhadas, foi apresentada a segunda versão, discutida em seminários organizados em todos os estados. Realizada a sistematização das contribuições, a terceira versão foi divulgada em 6/4/2017. O documento encontra-se no Conselho Nacional de Educação – CNE, que irá emitir seu parecer. Depois disso é que a BNCC será homologada pelo MEC e se tornará obrigatória. A partir daí ela orientará a revisão dos currículos estaduais e municipais, a formação de professores, a adequação de materiais didáticos e a elaboração de exames externos. Embora o documento se encontre no CNE e ainda dependa de homologação pelo MEC, não é o caso de os sistemas de educação estaduais e municipais ficarem em compasso de espera. É o momento de analisá-lo amplamente com suas equipes e pensar maneiras de implementá-lo. Organizações lucrativas, como Nova Escola e Fundação Lemann, se adiantaram e já divulgaram o Guia da Base, que constitui encarte da revista Nova Escola de junho, consultada por grande parte dos professores. Este guia pode ser útil, mas é bom lembrar que as próprias escolas é que deverão se encarregar de reorganizar seus currículos, em todos os aspectos. É igualmente chegado o momento de os cursos de formação inicial e continuada de professores se debruçarem sobre a Base para encaminharem às escolas de educação básica os professores em sintonia com o trabalho que lhes cabe desenvolver. A BNCC não é do MEC. Será de todas as escolas.

 

REPENSANDO A AUTOAVALIAÇÃO

Repensando a autoavaliação

Benigna Maria de Freitas Villas Boas

 

Tive a oportunidade de examinar há alguns dias uma prova de uma disciplina do ensino médio que me fez refletir sobre a urgência de as escolas organizarem momentos com seus docentes para estudo e reorganização do processo avaliativo, incluída a discussão sobre procedimentos de avaliação. É uma prova composta de dois itens objetivos, com conteúdos não relacionados, e o terceiro e último que solicita: “Faça uma alta-avaliação sobre o seu desempenho nesse bimestre. Dê uma nota de 0 a 10. Justifique sua resposta”. Note-se que ele faz parte da prova. Sobre este item é que vamos nos debruçar.

Em primeiro lugar, fiquei que me indagando: “alta-avaliação” terá sido erro de digitação? A prova terá sido digitada por outra pessoa e não pelo/a professor/a? Se tiver ocorrido erro de digitação, não caberia ao professor/a revê-la antes da sua aplicação? Se o engano for mesmo a escrita da palavra, a situação é bem séria. Mas, sério mesmo é o fato de se exigir do estudante que faça sua autoavaliação como último item da prova e se atribua uma nota. Este é o segundo aspecto a ser considerado. Para isso, lanço mão do livro Virando a escola do avesso por meio da avaliação, de minha autoria, publicado pela editora Papirus em 2008, no qual dedico quatro capítulos à autoavaliação, tamanha é a sua importância para o desenvolvimento da avaliação formativa. Transcrevo o trecho abaixo: Continue lendo “REPENSANDO A AUTOAVALIAÇÃO”

 

O mundo empresarial se movimenta para “facilitar” a implementação da Base Nacional Comum Curricular

O mundo empresarial se movimenta para “facilitar” a implementação da Base Nacional Comum Curricular

Benigna Maria de Freitas Villas Boas

 

Antes mesmo de os sistemas de ensino se organizarem para discutir a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o mundo empresarial já constituiu parcerias para atividades lucrativas. A terceira versão da Base foi divulgada em abril de 2017 e deve se tornar obrigatória até o final deste mesmo ano. A fase de implementação tem início após a homologação do documento pelo MEC, o que deve ocorrer no segundo semestre deste ano para a Educação Infantil e Ensino Fundamental. Para o Ensino Médio será em 2018. A implementação envolve várias ações pelos estados e municípios, com apoio do Mec.

No dia 17 de maio deste ano, a Fundação Lemann e a Omidyar inauguraram parceria para fomentar “o trabalho de empreendedores – especialmente brasileiros – comprometidos com educação e dispostos a desenvolver soluções tecnológicas que facilitem a implementação da Base Nacional Comum Curricular” (www.fundacaolemann.org.br/omidyar-network/?). A expressão “especialmente brasileiros” indica que haverá outros, de outras nacionalidades.

A divulgação da notícia pelas duas empresas declara que, “para a Base ser efetiva e ajudar com avanços reais na aprendizagem, sua implementação demanda muito trabalho de professores, gestores, secretarias de educação, municípios e estados”. Por esse motivo, o diretor executivo da Fundação Lemann, Denis Mizne, profetiza que os educadores, gestores escolares, pais e responsáveis enfrentarão desafios para trazê-la para dentro da escola e que o investimento que sua empresa pretende fazer em tecnologias poderá ajudá-los a garantir o acesso a uma educação de qualidade para todos. Será que essa qualidade tão almejada precisa ser gestada fora da escola e por empresários? O que ele quer dizer com “trazer a Base para dentro da escola?” É tarefa deles? Qual o lugar dos educadores profissionais nesse processo? Subestima-se o papel desses educadores nesse processo. Continue lendo “O mundo empresarial se movimenta para “facilitar” a implementação da Base Nacional Comum Curricular”

 

SAEB 2017

O Jornal da Ciência, de 26 de maio de 2017, informa que a Portaria que estabelece as diretrizes para o planejamento e operacionalização do Sistema Avaliação Educação Básica (Saeb) 2017 foi publicada dia 25 de maio, 25, no Diário Oficial da União

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) publicou no Diário Oficial da União desta quinta-feira, 25 de maio, a Portaria que estabelece as diretrizes para o planejamento e operacionalização do Sistema Avaliação Educação Básica (Saeb) 2017. Entre as principais novidades estão a ampliação do conjunto de alunos, turmas e escolas avaliadas e a possibilidade de adesão de escolas privadas.

O Saeb, por meio da coleta de dados nos sistemas de ensino e escolas brasileiras, avalia a qualidade da educação nacional, oferecendo subsídios para a formulação, reformulação e monitoramento das políticas educacionais. Nesta edição, a população-alvo (conjunto de alunos, turmas e escolas que se pretende avaliar) é ampliada, passando a ser composta por: Continue lendo “SAEB 2017”

 

SEMANA DE PROVAS: ESTRATÉGIA DE AVALIAÇÃO OU ARRANJO ADMINISTRATIVO PARA A ESCOLA?

SEMANA DE PROVAS: ESTRATÉGIA DE AVALIAÇÃO OU ARRANJO ADMINISTRATIVO PARA A ESCOLA?

(Por: Erisevelton Silva Lima – Professor da SEEDF, Doutor em Educação pela Universidade de Brasília – UnB)

 

A forma como a escola se organiza revela como prioriza seus temas e preocupações no cotidiano da unidade de ensino. Além das tradicionais divisões em bimestres, trimestres ou semestres, outras atividades, outros tempos e seus executores demonstram as intencionalidades e as finalidades a que se destina essa organização. Thurler (2001) denomina-os de ritos laicos do núcleo duro da instituição e, quase sempre, fazem parte da cultura da escola sobre os quais a mudança nem sempre é bem-vinda. Nessa linha de raciocínio, a avaliação e todos os processos e procedimentos que a envolvem materializam essas práticas “naturalizadas” e de difícil interferência e/ou modificações. Partindo desse pressuposto, a questão que orienta este texto procura saber: a semana de provas, utilizada por ampla maioria das escolas, está a serviço das aprendizagens dos estudantes ou da praticidade gerencial das organizações quanto ao fechamento dos seus resultados e términos de períodos? Continue lendo “SEMANA DE PROVAS: ESTRATÉGIA DE AVALIAÇÃO OU ARRANJO ADMINISTRATIVO PARA A ESCOLA?”