AVALIAÇÃO NEGLIGENCIADA NA BNCC

AVALIAÇÃO NEGLIGENCIADA NA BNCC

 

Reunidos no dia 1º de julho de 2017, integrantes do GEPA (Vânia, Enílvia, Susley, Emília, Leda, Bruna e Benigna) analisaram o tratamento dado à avaliação pela BNCC, assim como as ações necessárias para a sua implementação.

Em primeiro lugar, o grupo considerou que o tema avaliação não está presente na Base, o que é questionável porque currículo e avaliação caminham juntos.

Em segundo lugar, o grupo estranhou a menção a procedimentos de avaliação formativa na introdução, no item Base Nacional Comum Curricular e currículos, sem que a concepção de avaliação formativa tivesse sido apresentada. Discorrendo sobre as “decisões que vão adequar as proposições da BNCC à realidade dos sistemas de ensino e das instituições escolares, considerando o contexto e as características dos alunos”, o documento afirma que essas decisões se referem a várias ações, dentre elas: “construir e aplicar procedimentos de avaliação formativa de processo ou de resultado que levem em conta os contextos e as condições de aprendizagem, tomando tais registros como referência para melhorar o desempenho da escola, dos professores e dos alunos”. A ausência de explicação sobre o que se entende por avaliação formativa a reduz à mera aplicação de procedimentos e mais, a associa simplesmente a resultados, dando a impressão de ser este seu intento. A avaliação formativa é sempre processual. O que seria avaliação formativa de resultado? Docentes de todo o país irão ler esta afirmação e não entenderão o seu significado. Em nossas discussões destacamos que a Base será um documento norteador do trabalho pedagógico de todas as escolas. Consequentemente, integrará o currículo dos cursos de formação de professores. É o que se espera. Continue lendo “AVALIAÇÃO NEGLIGENCIADA NA BNCC”

 

TURMAS COM MELHOR DESEMPENHO TÊM PROFESSORES MAIS EXPERIENTES, APONTA ESTUDO

G1 – 02/07/2017

Turmas com melhor desempenho têm professores mais experientes, aponta estudo

Estudo relaciona perfil de professores com o desempenho de turmas na Prova Brasil. Dados abrangem escolas de todo o país

Por Clara Campoli, G1

02/07/2017 07h01 Atualizado 03/07/2017 11h44

 

As turmas de 5º ano do ensino fundamental com melhor desempenho na Prova Brasil contam com professores mais velhos, com mais de 10 anos de magistério e que acreditam no potencial de seus alunos: é o que mostra uma análise qualitativa realizada pela empresa de ciência de dados IDados. As informações, compiladas com dados de todo o país, mostram que as melhores notas saem de salas de aula com maioria de meninas e com 88% dos alunos na idade certa.

Leia também: Nas escolas com alunos mais pobres, diretores são mais inexperientes e ganham salários menores

A análise, realizada pela economista Mariana Leite, baseou-se nos dados qualitativos do desempenho em matemática na Prova Brasil de 2015, além de se valer de respostas que os professores deram nos questionários relativos à avaliação. A Prova Brasil é aplicada pelo MEC e é um dos itens que integram o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Continue lendo “TURMAS COM MELHOR DESEMPENHO TÊM PROFESSORES MAIS EXPERIENTES, APONTA ESTUDO”

 

DEPUTADOS VÃO ACOMPANHAR A CONSOLIDAÇÃO DA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR

Câmara Notícias – 28/06/2017

Deputados vão acompanhar a consolidação da Base Comum Curricular e a reformulação do ensino médio

Uma subcomissão, criada com esse objetivo, reuniu nesta quarta-feira (28) especialistas e organizações da sociedade para colaborar com os trabalhos.

Deputados da Comissão de Educação da Câmara vão acompanhar a consolidação do texto da Base Nacional Comum Curricular e a reformulação do ensino médio no País. Uma subcomissão, criada com esse objetivo, reuniu nesta quarta-feira (28) especialistas e organizações da sociedade para colaborar com os trabalhos.

Relatora da subcomissão, a deputada Professora Dorinha Seabra Rezende (DEM-TO), afirmou que o grupo deverá cobrar do Ministério da Educação o cumprimento do prazo para conclusão da base curricular do ensino médio.

A pasta já entregou ao Conselho Nacional de Educação a base para a educação infantil, da creche à pré-escola, e para o ensino fundamental, do 1º ao 9º ano. Segundo o ministro da Educação, Mendonça Filho, a base referente ao ensino médio será entregue até o final deste ano, já adaptada às diretrizes do Novo Ensino Médio (Lei 13.415/17), aprovado pelo Congresso. Continue lendo “DEPUTADOS VÃO ACOMPANHAR A CONSOLIDAÇÃO DA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR”

 

BNCC: AFINAL, O QUE OS BRASILEIROS PRECISAM SABER?

BNCC: afinal, o que os brasileiros precisam saber?

Jornal da Ciência – 28/06/2017

 

A disputa em torno do que cada segmento ou movimento social acredita que os brasileiros devam aprender desemboca diretamente neste documento que está em vias de ser aprovado pelo Conselho Nacional de Educação

Está na ordem do dia a questão de definir o que todos os brasileiros precisam saber. Em momento de extrema crise política, em que crescem as forças antidemocráticas e a Constituição é ameaçada de diversas formas, temas como Escola sem Partido, educação de gênero e direitos sociais ganham espaço no debate nacional.

Estas questões remetem diretamente a outra, que é a definição de uma Base Nacional Curricular Comum a todas as redes de ensino do País, a chamada BNCC. A disputa em torno do que cada segmento ou movimento social acredita que os brasileiros devam aprender desemboca diretamente neste documento que está em vias de ser aprovado pelo Conselho Nacional de Educação. Continue lendo “BNCC: AFINAL, O QUE OS BRASILEIROS PRECISAM SABER?”

 

USP QUER PREPARAR PÓS-GRADUANDOS PARA A DOCÊNCIA

USP quer preparar pós-graduandos para a docência

Jornal da Ciência – 28/06/2017

Benigna Maria de Freitas Villas Boas

A iniciativa da USP é positiva por ser uma oportunidade de formação dos professores universitários, praticamente inexistente. Além disso, amplia as possibilidades de formação dos docentes da educação básica, tão necessitada de ter suas práticas repensadas e devidamente fundamentadas.  Os cursos de pós-graduação em Educação constituem o espaço privilegiado para atividades desse tipo. No momento em que o Brasil está prestes a implantar a Base Nacional Comum Curricular as universidades têm o dever de dar sua contribuição.

Passo a transcrever a reportagem do Jornal da Ciência de 28/06/2017.

 

“Falta de discussão e de valorização da carreira docente dificulta a formação de professores universitários

A vocação docente está prevista como fim da pós-graduação desde o seu primeiro plano nacional, publicado em 1965. Mas, desde então, novas possibilidades de carreiras surgiram e tomaram o espaço da prática docente no mestrado e doutorado. É o que observa Carlos Gilberto Carlotti Jr., pró-reitor de Pós-Graduação da USP.

“Por isso, erroneamente questionam se o pós-graduando deve ter habilidades pedagógicas”, diz Carlotti. “Independentemente do seu ramo de atividade, o estudante deve ter uma formação didático-pedagógica, porque assim ele desenvolverá uma série de habilidades de raciocínio, contextualização e de apresentação de ideias.” Continue lendo “USP QUER PREPARAR PÓS-GRADUANDOS PARA A DOCÊNCIA”

 

CIRCULARIDADE DE SABERES EM AVALIAÇÃO

Circularidade de saberes em avaliação

Benigna Maria de Freitas Villas Boas

 

Tratando da circularidade de saberes dos atores envolvidos nos processos de avaliação institucional, Sordi e Ludke (2009, p. 32) nos oferecem o entendimento sobre o tema circularidade do saber, de modo geral, pontuando que não se trata da transferência de conhecimento de cima para baixo ou do centro para a periferia. As autoras reconhecem a sua potencialidade, pois a ideia de circularidade indica idas e vindas, a circulação entre duas (ou mais) fontes produtoras de saber, cada uma enriquecendo, a seu modo, a construção do conhecimento a seu respeito.

Desta formulação de Sordi e Ludke depreende-se que a circularidade de saberes é feita horizontalmente, isto é, sem a intenção de mera transmissão de conhecimento de quem sabe em direção a quem não sabe, como se houvesse apenas um detentor de saberes. Pelo contrário, democraticamente os envolvidos no processo promovem formas de difusão do que cada um conhece sobre o tema para que, em conjunto, formulem ou reformulem suas ideias e práticas. Também não é o caso de se chegar necessariamente a conclusões. Pode até ser que não se chegue a isso. O que importa é socialização de informações e conhecimentos para que todos deles se apropriem e os usem segundo suas necessidades. Continue lendo “CIRCULARIDADE DE SABERES EM AVALIAÇÃO”

 

O CURSO DE PEDAGOGIA: DISCREPÂNCIA ENTRE A TEORIA ENSINADA NA FACULDADE E O EXERCÍCIO DA PROFISSÃO

O CURSO DE PEDAGOGIA: DISCREPÂNCIA ENTRE A TEORIA ENSINADA NA FACULDADE E O EXERCÍCIO EFETIVO DA PROFISSÃO

Profa. Dra. Sílvia Lúcia Soares

A reportagem “Alunas de pedagogia contam que realidade da profissão pode assustar: na teoria, tudo é fácil”, veiculada pelo G1, no dia 21/06/2017, enumera aspectos nevrálgicos tanto na formação quanto na profissão do pedagogo. Os pontos elencados na reportagem merecem uma análise mais acurada e aprofundada, entre os quais destacamos: a) função do pedagogo, b) desarticulação entre teoria e prática no processo de formação; c) distanciamento do trabalho pedagógico desenvolvido na universidade com os referenciais da Educação Básica; d) desvalorização do professor.

Sabemos que a discussão sobre a função do pedagogo não é recente e muito menos simples. Na verdade, ela advém das indefinições complexas relacionadas à Pedagogia e não apenas ao curso de Pedagogia. São diversas as concepções em relação à identidade da Pedagogia: ora considerada como campo científico; ora como um curso; como tecnologia da educação ou, ainda, ciência aplicada. Tais dúvidas geram indefinições quanto à sua especificidade, sua identidade e também quanto ao campo de atuação do profissional pedagogo. Continue lendo “O CURSO DE PEDAGOGIA: DISCREPÂNCIA ENTRE A TEORIA ENSINADA NA FACULDADE E O EXERCÍCIO DA PROFISSÃO”

 

A nova/velha face da punição escolar

A nova/velha face da punição escolar

Enílvia Rocha Morato Soares – doutoranda em Educação

 

O site do Centro de Referência em Educação Integral publicou, no dia 20/06/2017, entrevista com a professora da Faculdade de Educação da UNICAMP, Áurea Maria Guimarães, autora do livro Vigilância, punição e depredação escolar. Antes de transcrever a publicação do site, assim como a entrevista, teço algumas considerações sobre o tema.

Os comportamentos requeridos socialmente exigem dos indivíduos sujeição a regras e padrões estabelecidos a fim de manter o que se considera uma sociedade ordeira ou organizada. Em outras palavras, manter e reproduzir o atual modelo social requer a adequação de comportamentos a modelos estereotipados a fim de reservar, a cada classe, o lugar que lhe cabe ocupar. Todo esse processo se reveste de democrático se considerada a aparente liberdade que cada pessoa possui de adotar ou não os comportamentos dela esperados. Aparente porque a coação que forja a padronização de condutas se dá, na realidade, por meio de mecanismos que são cruéis, não só pela imposição de uma dada maneira de proceder, mas principalmente pela sutileza dos modos como se apresentam, evitando deixar transparecer suas reais intenções. Continue lendo “A nova/velha face da punição escolar”

 

Sobre a BNCC

Sobre a BNCC

Benigna Maria de Freitas Villas Boas

Cláudia Costin relata o que ouviu de Joanne Weiss, que esteve no Brasil nesta semana. A educadora americana coordenou, no governo Obama, o esforço de elaboração de orientações curriculares da pré-escola ao último ano do ensino médio. Passo a transcrever o artigo de Cláudia Costin, publicado na Folha de São Paulo de 23/06/2017.

O esforço foi apoiado por incentivos para Estados que a ele aderissem e envolveu mais do que apenas redigir o conjunto de competências que se esperava que os alunos alcançassem a cada ano de escolaridade. Incluiu capacitação de professores, modelos de avaliação e materiais de apoio aos docentes. Continue lendo “Sobre a BNCC”

 

PRIMEIRO ANO DO ENSINO MÉDIO É A SÉRIE COM MAIOR ÍNDICE DE REPROVAÇÃO E EVASÃO

Primeiro ano do ensino médio é a série com maior índice de reprovação e evasão

Profa. Dra. Maria Susley Pereira

Em reportagem publicada pelo jornal O Globo[1], em 20/06/2017, o “Primeiro ano do ensino médio é a série com maior índice de reprovação e evasão”. A reportagem apresenta dados divulgados pelo INEP – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, os quais mostram que o 1º ano do ensino médio é o ano escolar com o maior índice de reprovação (15,3%) e de evasão (12,9%) na educação básica entre 2014 e 2015.

A reportagem ainda revela que o 2º lugar em reprovação é o 6º ano do ensino fundamental, com 14,4%, e que o 3º ano, também do ensino fundamental, apresenta um elevado número de reprovações, chegando a 12,2% dos estudantes matriculados. Continue lendo “PRIMEIRO ANO DO ENSINO MÉDIO É A SÉRIE COM MAIOR ÍNDICE DE REPROVAÇÃO E EVASÃO”